sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

SEGUINDO A DEUS DE PERTO

A minha alma apega-se a ti: a tua destra me ampara” (Sl 63:8.).

O evangelho nos ensina a doutrina da graça preveniente, que significa simplesmente que, antes de um homem poder buscar a Deus, Deus tem que buscá-lo primeiro.

Para que o pecador tenha uma idéia correta a respeito de Deus, deve receber antes um toque esclarecedor em seu íntimo; que, mesmo que seja imperfeito, não deixa de ser verdadeiro, e é o que desperta nele essa fome espiritual que o leva à oração e à busca.

Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. “Ninguém pode vir a mim”, disse o Senhor Jesus, “se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6:44), e é justamente através desse trazer preveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegarmos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscamos, já estamos em Sua mão: “... o Senhor o segura pela mão” (Sl 37:24.).

Nesse “amparo” divino e no ato humano de “apegar-se” não há contradição. Tudo provém de Deus, pois, segundo afirma Von Hügel, Deus é sempre a causa primeira. Na prática, entretanto (isto é, quando a operação prévia de Deus se combina com uma reação positiva do homem), cabe ao homem a iniciativa de buscar a Deus. De nossa parte deve haver uma participação positiva, para que essa atração divina possa produzir resultados em termos de uma experiência pessoal com Deus. Isso transparece na calorosa linguagem que expressa o sentimento pessoal do salmista no Salmo 42: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de Deus?” E um apelo que parte do mais profundo da alma, e qualquer coração anelante pode muito bem entendê-lo.

A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus. O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.

Os cientistas modernos perderam Deus de vista, em meio às maravilhas da criação; nós, os crentes, corremos o perigo de perdermos Deus de vista em meio às maravilhas da Sua Palavra. Andamos quase inteiramente esquecidos de que Deus é uma pessoa, e que, por isso, devemos cultivar nossa comunhão com Ele como cultivamos nosso companheirismo com qualquer outra pessoa. É parte inerente de nossa personalidade conhecer outras personalidades, mas ninguém pode chegar a um conhecimento pleno de outrem através de um encontro apenas. Somente após uma prolongada e afetuosa convivência é que dois seres podem avaliar mutuamente sua capacidade total.

Todo contato social entre os seres humanos consiste de um reconhecimento de uma personalidade para com outra, e varia desde um esbarrão casual entre dois homens, até a comunhão mais íntima de que é capaz a alma humana. O sentimento religioso consiste, em sua essência, numa reação favorável das personalidades criadas, para com a Personalidade Criadora, Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste".

Deus é uma pessoa, e nas profundezas de Sua poderosa natureza Ele pensa, deseja, tem gozo, sente, ama, quer e sofre, como qualquer outra pessoa. Em seu relacionamento conosco, Ele se mantém fiel a esse padrão de comportamento da personalidade. Ele se comunica conosco por meio de nossa mente, vontade e emoções.

O cerne da mensagem do Novo Testamento é a comunhão entre Deus e a alma remida, manifestada em um livre e constante intercâmbio de amor e pensamento.

Esse intercâmbio, entre Deus e a alma, pode ser constatado pela percepção consciente do crente. É uma experiência pessoal, isto é, não vem através da igreja, como Corpo, mas precisa ser vivida, por cada membro. Depois, em conseqüência dele, todo o Corpo será abençoado. E é uma experiência consciente: isto é, não se situa no campo do subconsciente, nem ocorre sem a participação da alma (como, por exemplo, segundo alguns imaginam, se dá com o batismo infantil), mas é perfeitamente perceptível, de modo que o homem pode “conhecer” essa experiência, assim como pode conhecer qualquer outro fato experimental.

Nós somos em miniatura, (excetuando os nossos pecados) aquilo que Deus é em forma infinita. Tendo sido feitos a Sua imagem, temos dentro de nós a capacidade de conhecê-lO. Enquanto em pecado, falta-nos tão-somente o poder. Mas, a partir do momento em que o Espírito nos revivifica, dando-nos uma vida regenerada, todo o nosso ser passa a gozar de afinidade com Deus, mostrando-se exultante e grato. Isso é este nascer do Espírito sem o qual não podemos ver o reino de Deus. Entretanto, isso não é o fim, mas apenas o começo, pois é a partir daí que o nosso coração inicia o glorioso caminho da busca, que consiste em penetrar nas infinitas riquezas de Deus. Posso dizer que começamos neste ponto, mas digo também que homem nenhum já chegou ao final dessa exploração, pois os mistérios da Trindade são tão grandes e insondáveis que não têm limite nem fim.

Encontrar-se com o Senhor, e mesmo assim continuar a buscá-lO, é o paradoxo da alma que ama a Deus. É um sentimento desconhecido daqueles que se satisfazem com pouco, mas comprovado na experiência de alguns filhos de Deus que têm o coração abrasado. Se examinarmos a vida de grandes homens e mulheres de Deus, do passado, logo sentiremos o calor com que buscavam ao Senhor. Choravam por Ele, oravam, lutavam e buscavam-nO dia e noite, a tempo e fora do tempo, e, ao encontrá-lO, a comunhão parecia mais doce, após a longa busca. Moisés usou o fato de que conhecia a Deus como argumento para conhecê-lO ainda melhor. “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o Teu caminho, para que eu Te conheça, e ache graça aos Teus olhos” (Ex 33:13). E, partindo daí, fez um pedido ainda mais ousado: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Ex 33:18). Deus ficou verdadeiramente alegre com essa demonstração de ardor e, no dia seguinte, chamou Moisés ao monte, e ali, em solene cortejo, fez toda a Sua glória passar diante dele.

A vida de Davi foi uma contínua ânsia espiritual. Em todos os seus salmos ecoa o clamor de uma alma anelante, seguido pelo brado de regozijo daquele que é atendido. Paulo confessou que a mola-mestra de sua vida era o seu intenso desejo de conhecer a Cristo mais e mais. “Para O conhecer” (Fp 3:10), era o objetivo de seu viver, e para alcançar isso, sacrificou todas as outras coisas. “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual perdi todas as cousas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3:8).

Muitos hinos evangélicos revelam este anelo da alma por Deus, embora a pessoa que canta, já saiba que o encontrou. Há apenas uma geração, nossos antepassados cantavam o hino que dizia: “Verei e seguirei o Seu caminho”; hoje não o ouvimos mais entre os cristãos. É uma tragédia que, nesta época de trevas, deixemos só para os pastores e líderes a busca de uma comunhão mais íntima com Deus. Agora, tudo se resume num ato inicial de “aceitar” a Cristo (a propósito, esta palavra não é encontrada na Bíblia), e daí por diante não se espera que o convertido almeje qualquer outra revelação de Deus para a sua alma. Estamos sendo confundidos por uma lógica espúria que argumenta que, se já encontramos o Senhor, não temos mais necessidade de buscá-lO. Esse conceito nos é apresentado como sendo o mais ortodoxo, e muitos não aceitariam a hipótese de que um crente instruído na Palavra pudesse crer de outra forma. Assim sendo, todas as palavras de testemunho da Igreja que significam adoração, busca e louvor, são friamente postas de lado. A doutrina que fala de uma experiência do coração, aceita pelo grande contingente dos santos que possuíam o bom perfume de Cristo, hoje é substituída por uma interpretação superficial das Escrituras, que sem dúvida soaria como muito estranha para Agostinho, Rutherford ou Brainerd.

Em meio a toda essa frieza existem ainda alguns — alegro-me em reconhecer — que jamais se contentarão com essa lógica superficial. Talvez até reconheçam a força do argumento, mas depois saem em lágrimas à procura de algum lugar isolado, a fim de orarem: “Ó Deus, mostra-me a tua glória”. Querem provar, ver com os olhos do íntimo, quão maravilhoso Deus é.

É meu propósito instilar nos leitores um anseio mais profundo pela presença de Deus. É justamente a ausência desse anseio que nos tem conduzido a esse baixo nível espiritual que presenciamos em nossos dias. Uma vida cristã estagnada e infrutífera é resultado da ausência de uma sede maior de comunhão com Deus. A complacência é inimigo mortal do crescimento cristão. Se não existir um desejo profundo de comunhão, não haverá manifestação de Cristo para o Seu povo. Ele espera que o procuremos. Infelizmente, no caso de muitos crentes, é em vão que essa espera se prolonga.

Cada época tem suas próprias características. Neste exato instante encontramo-nos em um período de grande complexidade religiosa. A simplicidade existente em Cristo raramente se acha entre nós. Em lugar disso, vêem-se apenas programas, métodos, organizações e um mundo de atividades animadas, que ocupam tempo e atenção, mas que jamais podem satisfazer à fome da alma. A superficialidade de nossas experiências íntimas, a forma vazia de nossa adoração, e aquela servil imitação do mundo, que caracterizam nossos métodos promocionais, tudo testifica que nós, em nossos dias, conhecemos a Deus apenas imperfeitamente, e que raramente experimentamos a Sua paz.

Se desejamos encontrar a Deus em meio a todas as exteriorizações religiosas, primeiramente temos que resolver buscá-Lo, e daí por diante prosseguir no caminho da simplicidade. Agora, como sempre o fez, Deus revela-Se aos pequeninos e se oculta daqueles que são sábios e prudentes aos seus próprios olhos. É mister que simplifiquemos nossa maneira de nos aproximar dEle. Urge que fiquemos tão-somente com o que é essencial (e felizmente, bem poucas coisas são essenciais). Devemos deixar de lado todo esforço para impressioná-lO e ir a Deus com a singeleza de coração da criança. Se agirmos dessa forma, Deus nos responderá sem demora.

Não importa o que a Igreja e as outras religiões digam. Na realidade, o que precisamos é de Deus mesmo. O hábito condenável de buscar “a Deus e” é que nos impede de encontrar ao Senhor na plenitude de Sua revelação. É no conectivo “e” que reside toda a nossa dificuldade. Se omitíssemos esse “e”, em breve acharíamos o Senhor e nEle encontraríamos aquilo por que intimamente sempre anelamos.

Não precisamos temer que, se visarmos tão-somente a comunhão com Deus, estejamos limitando nossa vida ou inibindo os impulsos naturais do coração. O oposto é que é verdade. Convém-nos perfeitamente fazer de Deus o nosso tudo, concentrando-nos nEle, e sacrificando tudo por causa dEle.

O autor do estranho e antigo clássico inglês, The Cloud of Unknowing (A nuvem do desconhecimento), dá-nos instruções de como conseguir isso. Diz ele: “Eleve seu coração a Deus num impulso de amor; busque a Ele, e não Suas bênçãos. Daí por diante, rejeite qualquer pensamento que não esteja relacionado com Deus. E assim não faça nada com sua própria capacidade, nem segundo a sua vontade, mas somente de acordo com Deus. Para Deus, esse é o mais agradável exercício espiritual”.

Em outro trecho, o mesmo autor recomenda que, em nossas orações, nos despojemos de todo o empecilho, até mesmo de nosso conhecimento teológico. “Pois lhe basta a intenção de dirigir-se a Deus, sem qualquer outro motivo além da pessoa dEle.” Não obstante, sob todos os seus pensamentos, aparece o alicerce firme da verdade neotestamentária, porquanto explica o autor que, ao referir-se a “ele”, tem em vista “Deus que o criou, resgatou, e que, em Sua graça, o chamou para aquilo que você agora é”. Este autor defende vigorosamente a simplicidade total: “Se desejamos ver a religião cristã resumida em uma única palavra, para assim compreendermos melhor o seu alcance, então tomemos uma palavra de uma sílaba ou duas. Quanto mais curta a palavra, melhor será, pois uma palavra menor está mais de acordo com a simplicidade que caracteriza toda a operação do Espírito. Tal palavra deve ser ou Deus ou Amor”.

Quando o Senhor dividiu a terra de Canaã entre as tribos de Israel, a de Levi não recebeu partilha alguma. Deus disse-lhe simplesmente: “Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel” (Nm 18:20), e com essas palavras tornou-a mais rica que todas as suas tribos irmãs, mais rica que todos os reis e rajás que já viveram neste mundo. E em tudo isto transparece um princípio espiritual, um princípio que continua em vigor para todo sacerdote do Deus Altíssimo.

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa — Deus — de maneira pura, legítima e eterna.

Ó Deus, tenho provado da Tua bondade, e se ela me satisfaz, também aumenta minha sede de experimentar ainda mais. Estou perfeitamente consciente de que necessito de mais graça. Envergonho-me de não possuir uma fome maior. Ó Deus, ó Deus trino, quero buscar-Te mais; quero buscar apenas a Ti; tenho sede de tornar-me mais sedento ainda. Mostra-me a Tua glória, rogo-Te, para que assim possa conhecer-Te verdadeiramente. Por Tua misericórdia, começa em meu íntimo uma nova operação de amor. Diz à minha alma: “Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem” (Ct 2:10). E dá-me graça para que me levante e te siga, saindo deste vale escuro onde estou vagueando há tanto tempo. Em nome de Jesus. Amém.

Por A. W. Tozer

24 FATOS NOTÁVEIS SOBRE C.H. SPURGEON — MAIS UM!

1. SPURGEON leu o Progresso do Peregrino aos seis anos de idade e o releu 100 vezes após isso.

2. A coleção impressa de seus sermões (63 volumes) tem tantas palavras quanto a Enciclopédia Britânica, todavia, ele pregou suas 140 palavras por minuto à partir de uma única folha de anotações, preparada na noite anterior.

3. Uma mulher foi convertida lendo uma simples página de um sermão de SPURGEON que ela encontrou enrolada ao redor da manteiga que ela tinhaT comprado.

4. Antes dos 20 anos de idade, SPURGEON pregou 600 vezes.

5. Aos 19 anos de idade, a Igreja de New Park Street o convidou para um teste de seis meses. Eu aceitaria somente um teste de três meses pois, “Eu não queria me tornar um obstáculo”. Quando ele chegou, em 1854, a congregação tinha 232 membros. Trinta e oito anos depois o total era de 5.317 com outros 9.149 que tinham sido membros (mudanças, mortes, etc.).

6. SPURGEON disse dos políticos: “Eu tenho ouvido, ‘Não traga a religião para a política’. É precisamente para este lugar que ela deveria ser trazida e colocada ali na frente de todos os homens como um candelabro”.

7. SPURGEON certa vez se dirigiu a uma audiência de 23.654 pessoas sem, é claro, um microfone ou uma amplificação mecânica.

8. Um dia, para testar a acústica de um salão onde ele iria falar, ele falou em alta voz — “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Um trabalhador nas vigas ouviu e foi convertido.

9. A mulher de Spurgeon, Susannah, o chamava, “Sua Excelência”.

10. SPURGEON falava tão fortemente contra a escravidão que os seus publicadores Americanos editavam os seus sermões.

11. SPURGEON recusou ser ordenado e recusou o título, “Reverendo”. (Todavia, ele fundou um colégio de pastores).

12. SPURGEON entrevistou pessoalmente todos os membros candidatos na determinação de estar seguro da genuinidade da sua conversão. 14,000/38=368 por ano. (Veja #5 acima).

13. Ele nunca disse à sua congregação em quem votar — mas ele denunciava os candidatos por nome desde o púlpito — e ele distribuía folhetos durante a semana para os oficiais que estavam querendo saber quem ele favorecia.

14. A cada Natal SPURGEON dava presentes individuais aos órfãos dos orfanatos que ele tinha fundado, mesmo quando o número aumentou para aproximadamente mil.

15. SPURGEON lia quase um livro por dia em média. Ele freqüentemente confessava estar ciente de oito grupos (séries) de pensamentos identificáveis em sua mente ao mesmo tempo.

16. Concernente aos orfanatos como obra social, SPURGEON declarou: “O socialismo é somente palavras e teoria. Nós cuidamos tanto dos corpos como das almas dos pobres e tentamos mostrar nosso amor à Verdade de Deus pelo amor verdadeiro”.

17. O colégio de pregadores de Spurgeon fornecia educação geral assim como educação teológica. Não havia taxas fixas.

18. O diretor do colégio, George Rogers, era um pedobatista, mostrando a tolerância e magnanimidade de Spurgeon — mas todos na faculdade tinham que “ensinar as Doutrinas da Graça com dogmatismo, entusiasmo e clareza”.

19. SPURGEON, pelas melhores estimativas disponíveis, foi o instrumento direto e pessoal de Deus de aproximadamente 12.000 conversões.

20. O colégio, diretamente através dos esforços de Spurgeon de propagação com base em sua estimativa de doações, enviou homens resultando na plantação de mais de 200 igrejas.

21. O primeiro livro publicado pela Moody Press foi o All Of Grace [Tudo pela Graça] de Spurgeon. Ele ainda é o bestseller número #1 deles.

22. SPURGEON certa vez pregou uma mensagem sonhando, a qual sua esposa, que estava acordada, registrou em papel. Ele a pregou na manhã seguinte.

23. Havia oração contínua para a obra do Tabernáculo Metropolitano no porão do mesmo.

24. Num culto em 1879, a congregação regular de 4.850 membros deixou o tabernáculo para permitir que novas pessoas, que estavam esperando do lado de fora, tivessem uma chance de vir e ouvir. O edifício imediatamente se encheu de novo,

25. Quando Moddy encontrou Spurgeon e descobriu que ele fumava charutos, ele ficou um tanto surpreendido e desconcertado. Spurgeon lhe assegurou que nunca tinha exagerado. Moody perguntou cortesmente, “E o que você consideraria um exagero?”. Ao que Spurgeon respondeu, “Fumar dois ao mesmo tempo”. É crido que Spurgeon parou de fumar charutos quando a loja de tabaco onde ele os comprova começou a se auto-anunciar como, “A Loja Onde Spurgeon Compra Seus Charutos”.
Por Pastor Larry Newcomer

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ÉTICA CRISTÃ

Foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
Atos 11:26

O CONHECIMENTO MUDA, além dele muitas outras coisas também! Não sou conhecedor de tudo que muda no mundo, mas pelo menos uma coisa neste mundo não muda e afirmo que tão certo que, se não respirar por mais de um minuto, morrerei, o CONCEITO DE CRISTÃO/CRENTE não muda!

O padrão, modelo, modo, intensão, que permeia segundo a Bíblia sagrada a vida exemplar de um cristão é imutável, pois este padrão está fundamentado em Deus, em Jesus, no Espírito Santo e na Bíblia Sagrada que assim como o crente deve e tem que ser, é imutável!

Não existe mais crente, menos crente, crente paraguaio, crente quadrado, crente redondo, canela de fogo, o que existe é “crente” e “não-crente”, o que vai além disso, são rótulos e nada mais.

O que descrevo neste texto é um fato, não teoria, não discorro sobre pessoas, mas sobre o padrão ético divino para o ser humano, ser cristão como já diz o étimo da palavra é ser um pequeno Cristo, ser como Cristo, não na forma exterior, pois nossa estética jamais será igual a dEle, mas em sua qualidade de vida cristã, vivida, pregada, examinada, externada e humanizada.

O crente Abraão (Gálatas 3:9), o pai da fé, não foi chamado assim por acaso! Abraão era homem com todo homem! Ele pecou, errou, omitiu, negligenciou, desobedeceu ao mesmo tempo que foi integro, fiel, obediente, perseverante, humilde, homem de oração; o que quero dizer, para ser crente não é necessário ser um super-homem! É necessário servir a Deus e o amar todo o teu coração, e de toda a alma, e de todas as forças, e de todo o entendimento, e ao teu próximo como si mesmo (Lucas 10:27) e isso ele o fazia!

Ser crente não é estar isento de errar, de pecar, é estar consciente que não mais vivemos na prática do pecado e que somos pecadores quando pecamos e não pecamos porque somos pecadores! Ser crente é segui os princípios básicos da ética cristã, as quais não todas, descrevo-as abaixo segundo a Bíblia Sagrada SEMPRE!

Permita-me antes definir Ética, esse termo é de origem grega “ethos” e se refere aos costumes ou práticas/princípios que são aprovados por uma cultura. Ética é a ciência da moral ou dos valores, tem a ver com as normas sob as quais o indivíduo e as sociedades vivem e podem variar grandemente de uma cultura para outra, dependendo da fonte de autoridade que lhes serve de fundamento, em nosso caso além da Bíblia nossa constituição.

A ética cristã tem elementos distintivos em relação a outros sistemas; em suma, ética cristã é a ciência da conduta humana que se determina pela conduta divina; esses fundamentos da ética cristã encontram-se nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, onde temos por única regra de fé e prática, onde entendemos ser a revelação especial de Deus aos homens.

É possível sentenciar a totalidade do dever social e moral do cristão, em uma declaração de Jesus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo”. (Lucas 10:27)

Assim sendo temos princípios que são imutáveis, inegociáveis para nossa identidade cristã e para nossa qualidade de vida cristã:
  1. Princípio da Fé;
  2. Princípio da Legalidade e Edificação;
  3. Princípio do Respeito;
  4. Princípios da Tolerância;
  5. Ética no falar;
Princípio da Fé (Romanos 14: 22-23):

A Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem (Hebreus 11:1), além disso, sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6a), logo o crente deve ter fé, ou seja, convicção diante de Deus quanto ao que faz ou deixa de fazer. Pois ele precisa estar ciente que não precisa recorrer à homem algum para posicionar-se quanto aos seus atos e palavras. Se tiver dúvidas não deve fazer, como bem escreveu Paulo:

Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado. (Romanos 14: 22-23).

Vede a firmeza, “tudo o que não é de fé é pecado”; todo crente está (ou devia) convicto de seus atos!

Princípio da Legalidade e Edificação (1 Coríntios 10:23):

Isso nos fala de justiça, nos fazendo refletir no que iremos fazer, falar, comprar, vender, alugar e etc. Além disso, fala também de espontaneidade, não há louvor fazer as coisas por obrigação, deve haver devoção voluntária. A Bíblia nos exorta a conservar essa dádiva:

Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. (Gálatas 5:1)

É preciso estar ciente que como homem estamos debaixo de nossa vontade, e isso nos permite fazer muitas coisas, eu posso matar, mas é correto? Posso roubar, mas é certo? Existe intenção boa nisso? Paulo declara de forma clara aos coríntios:

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. (1 Coríntios 10:2)

Ele deixa bem claro que podemos fazer tudo o que quisermos, mas edifica (é verdadeiro, é honesto, é justo, é puro, é amável, é de boa fama, há alguma virtude, e há algum louvor)? Tenhamos sempre em mente o que Paulo disse também aos Romanos

Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. (Romanos 15:2)

Princípio do Respeito (1 Coríntios 8:9; 13 e Romanos 15:1, 2):

Aqui o fundamento é o amor e não a liberdade cristã. A Bíblia Sagrada afirma que não devemos escandalizar um irmão mais fraco (que ainda não tem a devida maturidade, neófito, mesmo que tenhamos consciência do que estamos fazendo não é errado).

Princípios da Tolerância (Romanos 14:3; 12)

Devemos respeitar as divergentes opiniões; quem adota algum costume não julgue o que não o pratica; quem não adota não despreze ou desmereça a devoção de seu irmão. Devemos nas coisas não essenciais, ter diversidade; nas essenciais, termos unidade; em todas as demais coisas, AMOR.

Ética no falar (Tito 2:9; Mateus 12:36)

Podemos falar tudo, sim, devemos? Não! Abaixo alguns versículos para não utilizar de argumentação humana:

A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um. (Colossenses 4:6)

Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. (Efésios 4:29)

Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós. (Tito 2:8)

Nossas palavras devem promover a edificação, a graça (salvação), ser agradável, irrepreensível, pesada para cada um, não chula, não torpe, e, além disso, tudo para com o outro, ela deve envergonhar o adversário de nossas almas, pois estamos cientes que “toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo.” (Mateus 12:36)

Temos muitos outros princípios e, além disso, cremos na existência de um único DEUS, o criador e Senhor de todas as coisas, sendo Ele Deus, pessoal e tendo um caráter positivo, não negativo ou neutro. Esse caráter revelado na Bíblia por meios de seus atributos morais e comunicáveis e incomunicáveis! Deus é Santo (Lv 11, 45; Sl 99, 9), Justo (Sl 11, 7; 145, 17), Verdadeiro (Sl 119, 160; Is 45, 19), Misericordioso (Sl 103, 8; Is 55, 7), Fiel (Dt 7, 9; Sl 33, 4) e outros mais. A Escritura afirma que Deus criou o ser humano à sua semelhança (Gn 1, 26-27). Isso significa que o homem partilha, ainda que de modo limitado, do caráter moral de seu Criador. Embora o pecado haja distorcido essa imagem divina no ser humano, não a destruiu totalmente.

Por isso Deus requer uma conduta ética das suas criaturas: “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 19, 2; 20, 26). Dentro deste prisma, a lei expressa o desejo que Deus tem de que as suas criaturas vivam vidas de integridade. Há três tipos de leis no Antigo Testamento: cerimoniais, civis e morais. Todas visavam disciplinar o relacionamento das pessoas com Deus e com o seu próximo. A lei inculca valores como a solidariedade, o altruísmo, a humildade, a veracidade, sempre visando o bem-estar do indivíduo, da família e da coletividade. Ser crente servi a Deus com alegria, em comunhão com Deus e com a sociedade. A grande síntese da moralidade bíblica está expressa nos Dez Mandamentos (Ex 20, 1-17; Dt 5, 6-21). As chamadas “duas tábuas da lei” mostram os deveres das pessoas para com Deus e para com o seu próximo. O Reformador João Calvino falava nos três usos da Lei: judicial, civil e santificador. Todas as confissões de fé reformadas dão grande destaque à exposição dos Dez Mandamentos. Muitos dos preceitos éticos mais nobres do Antigo Testamento são encontrados nos livros dos profetas, especialmente Isaías, Oséias, Amós e Miquéias. Sua ênfase está não só na ética individual, mas social. Eles mostram a incoerência de cultuar a Deus e oferecer-lhe sacrifícios, sem, todavia ter um relacionamento de integridade com o semelhante. Ver Isaías 1, 10-17; 5, 7 e 20; 10 1-2; 33, 15; Oséias 4, 1-2; 6, 6; 10, 12; Amós 5, 12-15, 21-24; Miquéias 6, 6-8.

É preciso entender que o crente de hoje em dia deve portar-se e ser do mesmo modo que eram e agiam os homens no passado, as dificuldades podem ser diferentes, as situações também, mas as respostas são às mesmas, sempre norteados em Deus e sua santidade.

No novo testamento não é diferente! Os princípios, a conduta do crente do Novo Testamento não contrasta com a do Antigo, mas nele se fundamenta. Jesus e os Apóstolos desenvolvem e aprofundam princípios e temas que já estavam presentes nas Escrituras Hebraicas, dando também algumas ênfases novas. Jesus: a ética em pessoa, mostra em seus ensinamentos e ilustra com sua vida o que realmente é ser crente! O tema central da mensagem de Jesus é o conceito do “reino de Deus”. Esse reino expressa uma nova realidade em que a vontade soberana de Deus deve ser reconhecida e aceita em tudo “Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade” (Tito 2:7).

Jesus não apenas ensinou os valores do reino, mas os exemplificou com a vida. Por isso que ser crente, muitas das vezes não é entendido, o verdadeiro crente, vive com os pés na terra e o pensamento no céu, buscando as coisas que são de cima!

No Sermão da Montanha (Mateus Caps. 5 a 7) Jesus com seus discípulos (os Filhos do Reino) descreve ali o que caracteriza o crente, ele é humilde, manso, misericordioso, integro, busca sempre a justiça e a paz, anela continuamente pelo perdão vivendo uma vida piedosa, uma vida de arrependimento, anseia pela veracidade, é generoso e acima de tudo luta pela propagação do amor.  Jesus endossa inda mais que este estado de moralidade deve ser tanto externa, como interna (sentimentos, intenções), ou seja, não é só no papel que deve funcionar e não somente em palavras, mas principalmente em ações!

Outro que muito ajudou na formação do caráter do cristão foi Paulo baseando-se em todo o exemplo de Cristo, a ética, a realidade da redenção e abnegação dEle. Paulo utiliza-se muito em suas expressões do “em Cristo” (II Co 5, 17; Gl 2, 20; 3, 28; Fp 4, 1). Entre os motivos que devem impulsionar o crente, as pessoas, em sua conduta está a imitação de Cristo (Rm 15, 5; Gl 2, 20; Ef 5, 1-2; Fp 2, 5). Outro motivo fundamental é o amor (Rm 12, 9-10; I Co 13, 1-13; 16, 14; Gl 5, 6). Com isso Paulo sintetizou a pratica da ética no fruto do Espírito (Gl 5, 22-23), fazendo assim distinção ente o simples significado humano da ética (que a miúdos é o ato de fazer tudo sem prejudicar ninguém) confrontando o significado teológico da ética que é fazer todo o possível para a edificação sua e dos outros “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. 1 Timóteo 4:16”!

Nessa argumentação do proceder do crente, está clara e evidente a ênfase ao bem-estar da comunidade, o corpo de Cristo (Rm 12, 5; I Co 10, 17; 12, 13 e 27; Ef 4, 25; Gl 3, 28). Ao mesmo tempo, ele valoriza o indivíduo, o irmão por quem Cristo morreu (Rm 14, 15; I Co 8, 11; I Ts 4, 6; Fm 16) e que acima de tudo, o crente deve viver para Deus, de modo digno dele, para o seu inteiro agrado: Rm 14, 8; II Co 5, 15; Fp 1, 27; Cl 1, 10; I Ts 2, 12; Tt 2, 12.

Não conseguiremos jamais definir tudo o que diz respeito aos princípios que permeiam a vida do crente, mas é certo, que o crente é diferente do não-crente, ele não é melhor pois deve considerar os outros “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Filipenses 2:3” superiores a ele mesmo “pois sua vida baseia-se no modelo que é Cristo e não em suas convicções, baseia-se numa vida integra onde somos um embaixador de Deus na terra como diz as sagadas escrituras:

Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho. (Filipenses 1:27)