1 – Disciplina,
a expressão do amor de deus
A Escritura é clara ao afirmar que a disciplina é prova do amor divino: “Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.” (Hebreus 12:6 - ARA)
“Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.” (Provérbios 3:12 - ARC)
“É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige?” (Hebreus 12:7 - ARA)
“Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.” (Hebreus 12:10 - ARA)
Aqui está o cerne teológico, a disciplina é também um instrumento de divino, bíblico de santificação. Deus não disciplina por capricho, mas com propósito de santificação, redenção. Ele visa formar em nós o caráter de Cristo “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. (Romanos 8:28-29 - ARC). A disciplina é uma expressão de amor.
O texto sagrado prossegue: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.” (Hebreus 12:11 - ARA)
A mesmo causando dor, a disciplina não invalida o amor, antes valida o cuidado paternal de Deus.
2 – Consequências do pecado e responsabilidade pessoal
Muitos, quando disciplinados, enxergam apenas punição. Contudo, a Palavra nos ensina que colhemos o que semeamos: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6:7 - ARA)
Jeremias exorta: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” (Lamentações 3:39 - ARC)
A disciplina, muitas vezes, nada mais é do que a consequência dos atos antibíblicos de escolhas, erradas. Quando a igreja disciplina de forma bíblica, ela não está criando sofrimento, mas reconhecendo a gravidade do pecado à luz da santidade de Deus, pois ela nos orienta a sermos santos, “Sede santos, porque eu sou santo.” (1 Pedro 1:16 - ARC); o pecado não pode ser trivializado, pois: “O salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23 - ARC)
3 – O fundamento
bíblico da disciplina
O Senhor Jesus estabeleceu princípios claros para tratar o pecado na comunidade: “Se teu irmão pecar contra ti, vai arguí-lo entre ti e ele só; se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.” (Mateus 18:15 - ARA)
Observe o objetivo: ganhar o irmão, não o perder. O processo continua “Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano”. (Mateus 18:16-17 – ARC), mostrando que a disciplina é progressiva e visa restauração.
O apóstolo Paulo também tratou do tema, “Notai o que desobedece à nossa palavra dada por esta epístola, não vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.” (2 Tessalonicenses 3:14-15 - ARA)
Aqui vemos o equilíbrio: afastamento disciplinar, mas sem desumanização; correção, mas com fraternidade. Em 1 Coríntios 5, Paulo ordena disciplina severa em caso de pecado público, mas com finalidade restauradora: “Seja entregue a Satanás para destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor.” (1 Coríntios 5:5 - ARA). Quando houve arrependimento, Paulo orienta a restauração: “De modo que deveis antes perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.” (2 Coríntios 2:7 - ARC), e acrescenta: “Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.” (2 Coríntios 2:8 - ARC). Isso mostra que Disciplina sem restauração é crueldade; restauração sem arrependimento é permissividade.
4 – O perigo da omissão e da dureza excessiva
Há igrejas que disciplinam sem amor; há igrejas que, em nome do amor, não disciplinam. Ambas erram, pois a omissão produz contaminação: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa?” (1 Coríntios 5:6 - ARC). Por outro lado, a dureza excessiva pode destruir o arrependido. Paulo alerta: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; e guarda-te para que não sejas também tentado.” (Gálatas 6:1 - ARA).
A disciplina deve ser aplicada com:
Mansidão (ternura) e humildade (igualdade): “Irmãos, se alguém for vencido por algum pecado, vocês, que são espirituais, devem ajudá-lo, com mansidão e humildade, a voltar ao caminho certo, lembrando-se que da próxima vez poderá ser um de vocês a ser tentado”. (Gálatas 6:1 - NBV)
Paciência: “Pedimos a vocês, irmãos, que aconselhem com firmeza os preguiçosos, deem coragem aos tímidos, ajudem os fracos na fé e tenham paciência com todos. (1Tessalonicenses 5:14 - NTLH)
Amor: “Em vez disso, seguiremos com amor a verdade em todo tempo — falando com verdade, tratando com verdade, vivendo em verdade — e assim nos tornaremos cada vez mais, e de todas as maneiras, semelhantes a Cristo, que é o Cabeça do seu corpo, a igreja”. (Efésios 4:15 - NBV)
Desejo de restauração: “Meus
irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém ajudá-lo a compreender
a verdade novamente, 20essa pessoa que o trouxer de volta salvará a vida
dessa pessoa e fará com que muitos pecados sejam perdoados. (Tiago 5:19-20 NBV)
5. Uma exortação final à igreja
Que a igreja volte à prática bíblica da disciplina, sem ser omissa e não sendo cruel, que lembremos:
Disciplina é sinal de filiação, seu objetivo é a santidade, o método deve ser firme, ordeiro e amoroso, pois o fim é a restauração.
A disciplina é uma prova de que pertencemos a Deus, porque Ele corrige aqueles que ama e quer formar neles um caráter santo (Hebreus 12:8,10). Essa correção não deve ser vista como rejeição, mas como cuidado e propósito. Ao mesmo tempo, quem erra não deve ser tratado como inimigo, e sim advertido com amor, como um irmão (2 Tessalonicenses 3:15). E, quando há arrependimento, o caminho não é a dureza contínua, mas o perdão, o consolo e a reafirmação do amor, para que a pessoa não seja consumida pela tristeza (2 Coríntios 2:7-8). Assim, a disciplina bíblica restaura, amadurece e reconduz ao amor.
Que não “sepultemos” nossos irmãos com olhares, murmurações ou distanciamento, pois “Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” (Efésios 4:32 - ARA)
Se Deus nos perdoa para nos aproximar d’Ele, não podemos perdoar para nos afastar. Que tratemos “todos com paciência” (1 Tessalonicenses 5:14 - ARA) e que o amor seja a motivação maior: “Todas as vossas coisas sejam feitas com amor.” (1 Coríntios 16:14 - ARC)