domingo, 20 de julho de 2025

EM PAZ ME DEITO E LOGO DURMO

"EM PAZ ME DEITO E LOGO PEGO NO SONO, PORQUE, SENHOR, SÓ TU ME FAZES REPOUSAR SEGURO." (Salmos 4:8)

Confiar em Deus não é inércia. Não é passividade. Confiar em Deus é repousar a alma enquanto as mãos continuam trabalhando. É deitar-se em paz, mesmo quando há batalhas no horizonte, porque sabemos que Aquele que não dorme está no controle.

A fé verdadeira não dispensa o esforço, ela o direciona. Não cruzamos os braços esperando que tudo se resolva por milagre, mas movemos nossos pés em direção ao propósito, certos de que Deus está à frente. Assim como Neemias reconstruiu os muros de Jerusalém com a espada numa mão e a colher de pedreiro na outra, também nós seguimos firmes: vigiando, confiando e trabalhando.

Deus governa o universo com sabedoria. Nada escapa de Seu plano soberano. E mesmo aquilo que nos fere hoje pode estar colaborando para um bem eterno. Mas essa certeza não deve nos acomodar, e sim nos encorajar a levantar todos os dias com a disposição de quem sabe: “o cavalo se prepara para o dia da batalha, mas a vitória vem do Senhor” (Provérbios 21:31).

É por isso que quem confia em Deus dorme tranquilo. Não por ignorar os problemas, mas por confiar que, enquanto descansamos, Ele vela por nós. E, ao amanhecer, levantamos com fé, fazendo a nossa parte com diligência e coragem.

A confiança em Deus é fé que descansa, mas também é fé que age. Porque sabemos: tudo depende d’Ele, mas Ele também conta conosco para sermos cooperadores na construção do Seu propósito.

POR QUE SOFREMOS?

"Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Romanos 8:18 (ARC)

Essa pergunta atravessa os séculos e continua ecoando no coração de muitos que, mesmo andando em integridade, se deparam com a dor, a perda e, muitas vezes, com o silêncio de Deus. Se Ele é bom, justo e todo-poderoso, por que permite que aqueles que O amam experimentem sofrimento?

Essa não é uma inquietação nova. Jó, homem íntegro e temente a Deus, foi duramente provado sem que houvesse culpa em sua conduta (Jó 1:1). A resposta para esse dilema não está na ausência de Deus, mas no entendimento da realidade em que vivemos: um mundo marcado pela queda, pelas consequências do pecado (Gênesis 3) e pelas imperfeições humanas. Aqui, até os justos sangram.

Muitas vezes, o sofrimento não é fruto do pecado pessoal, mas do ambiente quebrado em que estamos inseridos. Vivemos em um mundo que "geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Romanos 8:22), e isso atinge até os que andam com Deus. Em outras ocasiões, a dor nasce de nossas próprias escolhas. Deus perdoa, cura e restaura, mas ainda assim colhemos os frutos de decisões precipitadas (Gálatas 6:7-8). A misericórdia não anula a responsabilidade.

Além disso, não podemos esquecer que o inimigo de nossas almas se levanta contra os que permanecem firmes. O próprio Jesus disse a Pedro: "Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo" (Lucas 22:31). Há sofrimentos que surgem do confronto espiritual, da resistência do justo ao mal, da escolha diária por santidade. E nesses momentos, o Senhor estabelece limites: "Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis" (1 Coríntios 10:13).

Mas talvez o maior motivo pelo qual os justos sofrem esteja no chamado que carregam: participar das aflições de Cristo. O Evangelho não é um convite ao conforto, mas à cruz (Mateus 16:24). Não é promessa de uma vida sem dores, mas de uma vida com propósito. "Ainda que era Filho, aprendeu a obediência por aquilo que padeceu" (Hebreus 5:8). Da mesma forma, os seus discípulos são moldados na fornalha, não para serem destruídos, mas purificados (1 Pedro 1:6-7).

A grande verdade é que o sofrimento do justo nunca é em vão. Ele gera perseverança, molda o caráter e aprofunda a fé (Romanos 5:3-4). Deus não desperdiça uma lágrima sequer (Salmos 56:8). O justo pode até sofrer, mas sua dor nunca é sem propósito. E, sobretudo, é passageira: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" (Salmos 30:5).

Por isso, ainda que a dor venha, ainda que as perguntas fiquem sem resposta, permaneça firme. "Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas" (Salmos 34:19). Deus não abandona os seus no meio do vale (Salmos 23:4). Ele caminha junto, sustenta e transforma o sofrimento em glória.

No fim, o justo não será lembrado pela dor que sofreu, mas pela fé com que suportou, permaneceu, firme, constante e abundante e por isso, venceu.

ESCOLHA QUEM VOCÊ QUER SER... SÁBIO OU TOLO!

Sabeis isto, meus amados irmãos: todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. (Tiago 1:19)

Essa exortação é um chamado à maturidade.

Num mundo barulhento, onde todos desejam ser ouvidos, verdadeiramente sábio é aquele que aprendeu a ouvir.

Falar é uma necessidade humana, todos temos algo a dizer. Mas ouvir... é uma virtude rara, uma arte esquecida, uma habilidade espiritual.

Jesus, nosso maior exemplo, frequentemente se calava para ouvir. No encontro com os dois discípulos no caminho de Emaús (Lucas 24), antes de lhes revelar quem era, Ele primeiro perguntou: “Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós?”, ele os ouviu.

O Salvador do mundo, que tinha todas as respostas, escolheu ouvir primeiro.

Isso nos ensina que dar ouvidos ao próximo é mais do que educação, é manifestação do Reino de Deus. Ouvir não é apenas captar sons, é discernir corações. Ouvir torna o conselho eficaz, o ensino verdadeiro, o pastoreio frutífero.

No Antigo Testamento, vemos que Salomão pediu a Deus “um coração que ouve” (1 Reis 3:9), não apenas sabedoria. Porque o ouvido atento é o começo da justiça. E é nesse ponto que a sabedoria espiritual toca a vida prática: escutar é honrar.

Há uma ilustração valiosa na figura de Frei Damião, missionário que por mais de meio século percorreu o nordeste brasileiro. Conta-se que sua postura curvada não era apenas sinal da idade, mas resultado de décadas se inclinando para ouvir o povo.

Se o fato é literal ou simbólico, pouco importa: ele representa uma vida disposta a se curvar para escutar. E isso nos lembra que ouvir é se rebaixar, é servir, é amar.

A Palavra também nos alerta sobre a responsabilidade de ouvir bem: “Vede, pois, como ouvis” (Lucas 8:18). Ouvir com atenção, com o coração, com discernimento espiritual.

Porque quem escuta com sabedoria salva relacionamentos, evita injustiças e constrói pontes. Já quem só fala, raramente edifica.

Ouvir é reconhecer que o outro importa. E nesse gesto simples, mas poderoso, nasce o consolo, a cura, a direção. No meio cristão, muitos querem falar em nome de Deus, mas poucos desejam ouvir as dores do próximo como Deus faz. E Ele nos escuta com paciência, mesmo sabendo tudo o que vamos dizer.

Que esta geração, tão apressada para expor opinião, volte a valorizar o silêncio que acolhe, o ouvido que entende, o coração que discerne. Pois no Reino de Deus, o verdadeiro sinal de grandeza não é quem mais fala, mas quem melhor escuta.

Todo aquele que está cheio da graça, aprendeu que ouvir é uma forma de amar.

Há mais sabedoria em ouvir, do que falar, como diz Salomão: “Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; e o que fecha os seus lábios, por entendido." (Provérbios 17:28)

Escolha quem você quer ser... Sábio ou tolo!